sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Que dia

      Sai do hospital depois de quase três horas naquele inferno esperando minha tia. Eu estava quase surtando, passaram pelo meu pé cinco macas vazias, que deixemos isso bem claro. Espirraram na minha cara mais de vinte doentes, outra coisa que devemos deixar bem claro eu ODEIO hospitais, primeiro por causa do acidente dos meus pais, segundo por causa da aparência assustadora dos médicos. Hoje por exemplo a sra a me atender era velha e parecia um pedaço de rosca de ontem, sua cara era lotada de espinhas vermelhas e borbulhantes que saltavam para fora, ela tinha um bigode e apesar de ser uma mulher, fedia como jogadores de futebol da meia idade. Com os cabelos brancos estava ela numa roupinha branca tamanho 32 embora o seu numero seja 52. Seus pés calçavam um chinelo que deixava a mostra as unhas encravadas e nojentas que saiam da sua pele. Depois de quase 1/8 do meu dia, resolvi não me deixar abalar, venhamos e convenhamos todos os hospitais seriam a mesma coisa. 
       Ok, no carro com minha tia la estava eu quieta, ou melhor muda porque nem a minha respiração se escutava, já a dela estava bufante como a de um boi pronto para o abate. Na melhor das intenções soltei um "o que foi tia?" e em troca ganhei uma louca dirigindo pelo trânsito de Belo Horizonte com uma veia pulsante saindo da testa. A tia Simoni começou a gritar, não entendi o motivo do escândalo e fiquei calada olhando para a janela, as casas passavam rapidamente como borrões que vão em bora.
      Cheguei em casa ainda com ela me chamando de aborrecente, irresponsável, insensata, burra e louca. Passei por ela e murmurrei "Louca? Eu né", por azar ela escutou meu comentário e soltou mais uma leva de xingamentos. Minha tia subiu para o seu quarto e começou a chorar desesperadamente la dentro, estava decidida essa noite eu ia descobrir o mistério da torre mal assombrada!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Barraco

      Minhas amigas da argentina sempre falaram que eu não sabia me defender, segundo elas eu parecia uma criança, pois sempre que me insultavam eu saia correndo e contava para o "responsável" do lugar me gerando o apelido de X9. A minha dedo-durisse fica para outra história, enfim, me sentindo sozinha eu sai de casa e fui para a pracinha me socializar com a vizinhança. Cheguei, comprei um picolé, sentei em um banco embaixo de uma árvore e fiquei curtindo o meu silêncio interior.
      Um menino sentou do meu lado, fingi não ver nada, mais fiquei feliz com a companhia... Papo vai, papo vem agente parecia até amigos de infância, eu descobri que ela mora na mesma rua que eu, estuda no colégio que eu vou estudar, tem uma irmã mais nova e (não para minha surpresa) tem uma namorada. Estava me preparando psicologicamente para contar a tragédia da minha vida a ele quando uma loira aguada chegou perto de nós e começou a gritar. Não sai correndo, só fiquei ali olhando sem reação até que ouvi ela perguntar depois de uma série de ofensas "seus pais não te deram educação?", meu sangue ferveu eu me levantei e dei um empurrão tão forte nela que a coitada caiu do salto e foi ao chão, "escuta aqui loirinha, dobre a lingua antes de falar dos MEUS pais!" disse fazendo com que ela arregalasse os olhos. Joguei meu picolé do chão e depois sai pisando duri, chegando perto da rua senti uma pancada na cabeça (que segundo a enfermeira foi a tal loira, que irada pela mancha do picolé que eu causei mandou o skate de um garotinho na minha cabeça, a coitada devia estar numa TPM das bravas), tudo ficou escuro e eu acordei no hospital.
      Depois de escutar essa história absorta, não conseguia acreditar, mais a minha ficha caiu quando eu passei a mão na cabeça e senti curativos... Como alguém seria capaz de jogar um skate em uma cabeça?  TEM DOIDO PRA TUDO!

Onde eu estou?

      Abri meus olhos sem me lembrar de ir dormir, olhei para os lados e percebi que não estava no meu quarto. Uma senhora de cabelos brancos e olhos claros veio em minha direção, suspirei profundamente querendo que a velha senhora Bianca Benson (pelo que pude ler em seu crachá, esse era seu nome) percebesse que eu já estava acordada. Porém meus esforços foram em vão porque ela se debruçou na cama em que eu estava e me balançou brutalmente. Estava tentando evitar mais acabei dando um grito agudo que a fez me soltar. "Sra, o que aconteceu?".

Sozinha

      Barulho perto de casa é o que não faltava, porém parecia que eu estava abandonada no mundo, sem ninguém para me fazer sorrir. Angustiada por causa dos meus pensamentos resolvi sair de casa, arejar a cabeça e conhecer gente nova. Fui a uma pracinha que havia a alguns quarteirões daqui.

domingo, 30 de setembro de 2012

Sonho ou Pesadelo

      "Luci!" eu escutei uma voz aguda gritando meu nome, seguida de um barulho de explosão. Corri em direção ao som e vi varios corpos queimados estendidos ao chão. Comecei a suar, meu olhos marejaram e meu coração acelerou. Vi meus pais chamuscados, meus irmãos chorando de dor, e quando reparei eu estava em chamas. Cai no chão e aos prantos abri os olhos.
      Eu estava deitada no meu quarto, havia adormecido enquanto escrevia no meu blog diário, vi que já eram onze horas da manhã. Levantei e fui tomar café.

Tia Bizarra

      Ontem foi um dia sinistro, cheguei em casa uma hora da manha porque peguei o ônibus errado e acabei parando em contagem. Entrei em casa a tia Simone estava sentada na poltrona abraçada a uma foto antiga cujo pude ler 'eu te amo' no verso. Quando me viu na porta parada minha tia se levantou correndo e me mandou deitar, sem nem perguntar o que havia acontecido. Enquanto ia em direção a escadaria que levava ao meu quarto pude perceber um album de fotos na mesinha de centro e o chão repleto de pedaços de papel rasgados. Tia Simone mandou um olhar que me fuzilava de cima a baixo, então para não gerar confusão fui para o meu quarto. 

Separados pelo mundo.

      Depois do velório e do interro dos meus pais, veio a parte mais complicada, o juiz iria determinar o destino de cada um de nós. Chegamos a vara familiar de Buenos Aires, eu achava que todos ficaríamos na casa de algum tio, ou na pior das opções separados, porém na mesma cidade. Mas foram todos separados pelo mundo. Tenho três irmãos, o Pedro, Marcos e o Luigi, apesar de ter vontade de esganar todos eles, não me imagino a kilometros de distância de nenhum deles.
      Viajei para o Brasil, no aeroporto com uma plaqueta ilegível estava a misteriosa tia Simone, a irmã mais nova da minha mãe. Li na internet que ela mora em um casarão do bairro Belvedere, é dona de um buffet, e que é viúva de um marido.
      Paramos em frente a um casarão branco, de um jardim meio mal cuidado e um piscina vazia. Meus pensamentos diversos me levaram a falar "a tortura se inicia"!