Sai do hospital depois de quase três horas naquele inferno esperando minha tia. Eu estava quase surtando, passaram pelo meu pé cinco macas vazias, que deixemos isso bem claro. Espirraram na minha cara mais de vinte doentes, outra coisa que devemos deixar bem claro eu ODEIO hospitais, primeiro por causa do acidente dos meus pais, segundo por causa da aparência assustadora dos médicos. Hoje por exemplo a sra a me atender era velha e parecia um pedaço de rosca de ontem, sua cara era lotada de espinhas vermelhas e borbulhantes que saltavam para fora, ela tinha um bigode e apesar de ser uma mulher, fedia como jogadores de futebol da meia idade. Com os cabelos brancos estava ela numa roupinha branca tamanho 32 embora o seu numero seja 52. Seus pés calçavam um chinelo que deixava a mostra as unhas encravadas e nojentas que saiam da sua pele. Depois de quase 1/8 do meu dia, resolvi não me deixar abalar, venhamos e convenhamos todos os hospitais seriam a mesma coisa.
Ok, no carro com minha tia la estava eu quieta, ou melhor muda porque nem a minha respiração se escutava, já a dela estava bufante como a de um boi pronto para o abate. Na melhor das intenções soltei um "o que foi tia?" e em troca ganhei uma louca dirigindo pelo trânsito de Belo Horizonte com uma veia pulsante saindo da testa. A tia Simoni começou a gritar, não entendi o motivo do escândalo e fiquei calada olhando para a janela, as casas passavam rapidamente como borrões que vão em bora.
Cheguei em casa ainda com ela me chamando de aborrecente, irresponsável, insensata, burra e louca. Passei por ela e murmurrei "Louca? Eu né", por azar ela escutou meu comentário e soltou mais uma leva de xingamentos. Minha tia subiu para o seu quarto e começou a chorar desesperadamente la dentro, estava decidida essa noite eu ia descobrir o mistério da torre mal assombrada!